Seja bem vindo(a)!!

Este blog é mais uma prova da força do reggae em Salvador e no mundo. Este humilde repórter vem através de mais esta ferramenta de comunicação, publicar tudo que puder para aumentar ainda mais o poder de expressão deste ritmo que se tornou um dos redutos de protestos sociais e estandartes da paz!

Até mais,
João "Jah-Ba" Barreto.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Via de mão dupla

"Esta matéria é uma homenagem póstuma a Ricky Husbands, verdadeiro cidadão do mundo"

As pontes entre o reggae de Salvador e da Jamaica estão cada vez mais fortes e profundas. Ricky Husbands, vocalista da banda Irie Positive Band, que também é tecladista, e Sergio Cassiano, vocal e guitarrista da banda Adão Negro são exemplos perfeitos das duas mãos dessa via. Husbands, já morou muitos anos vivendo em algumas partes do globo (Guiana Britânica, Suriname, Jamaica, Estados Unidos e Brasil) e Cassiano fez a sonhada viagem dos sonhos de qualquer “reggaeiro”: conhecer a Jamaica e sua mandinga no quesito reggae.

De onde vem essa raiz “reggaeira”?

Admitindo Gilberto Gil como o pioneiro do reggae no Brasil, Husbands afirma que para ele, 80% do reconhecimento inicial do ritmo em Salvador se deve à afinidade primordial do atual ministro da cultura com o estilo de música da Jamaica, e sua irreverência ao colocá-lo em prática numa sociedade altamente tradicional e aversa ao que não se encaixava nos seus padrões em plena ditadura militar. Segundo Husbands, Gilberto Gil foi corajoso ao trazer para o Brasil da época, as influências de Bob Marley, que era um homem que lutava contra formas de opressão e preconceito no seu país e no mundo. Sergio além de dar a Gil todo o seu mérito, aponta o momento pelo qual passava o mundo: Revolução Feminina afrontado a sociedade patriarcal, Martin Luther King e suas idéias, dentre outros eventos e personalidades que chacoalhavam as estruturas sociais da época. Para explicar a raiz “reggaeira”, invoca a relação entre identidade e identificação: não importa mais onde nasce o cidadão, mas sim o que ele encontra no mundo a sua volta. Isso sim forma a personalidade. Um reflexo positivo da controversa globalização. As sementes haviam sido plantadas e sua germinação impossível de ser interrompida. Sendo assim os soteropolitanos têm uma relação de mais de 30 anos com o reggae e suas idéias.

Primos não tão distantes...

Assim como na Jamaica, Salvador exibe uma semelhança quanto à parcela da população que aprecia o reggae. As camadas menos favorecidas nele encontram uma forma de protestar, conscientizar e expor sua condição de vida. Nos festivais Tributo a Bob Marley e República do Reggae realizados no Wet´n Wild, na Paralela, é comum superar a expectativa de mais de 25 mil pessoas por edição. Todas ávidas pelas performances de artistas locais, nacionais e internacionais. Fato que chama a atenção de Sergio “... os jamaicanos que vêm pra cá me dizem que não têm esse público em shows na Inglaterra...“. A maioria dos admiradores vem do subúrbio, quebra a barreira do idioma (inglês), faz coro nas canções, executa coreografias e leva consigo gigantescas bandeiras para ovacionar seus ídolos e demonstrar suas opiniões. Ambos acreditam que tudo é devido ao empenho do falecido rei do reggae Bob Marley, em passar mensagens de luta, justiça e liberdade durante sua carreira, sendo essa postura replicada por muitos dos seus admiradores, quer fãs ou músicos. E já é cada vez mais freqüente a presença destes ídolos na maior festa popular do planeta: o carnaval. Trios fazem os percursos com cantores e bandas inteiras se revezando perante as câmeras, para milhões de pessoas. Mas Sergio enfatiza: “... sou apaixonado pelo carnaval, pela tragicomédia do Pierrô, Arlequim e da Colombina, mas devemos botar os pés no chão (...), nenhum estilo musical do mundo que não tenha vindo da Inglaterra e/ou dos EUA se tornou uma música ouvida no mundo todo a não ser o reggae...”. Esse fato mostra sua importância para a cultura mundial.

Para onde vai?

Sobre o reggae feito aqui e na Jamaica, Husbands é categórico: “... o reggae é uma coisa só. Não importa se é feito na Califórnia, Brasil ou Jamaica (...) mas o reggae de Salvador é autêntico. Diferente do que é feito no resto do Brasil e no mundo...”; afirma. Ele já teve a chance de participar das cenas de Brasília, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão e Salvador onde vive e tem duas filhas “... uma delas faz backing vocals na minha banda, a Irie Positive Band“, completa com orgulho.
Apesar de todo esse reconhecimento e do advento da internet, que proporciona a divulgação de artistas independentes de qualquer parte do mundo através de sites especializados, e das ferramentas de comunicação online, a cidade ainda encontra dificuldades para exportar seus representantes, apesar de fazê-lo muito bem. Se encontra mais na posição de reduto do que uma vitrine iluminada para o caminho inverso. Bandas de outras partes do Brasil a exemplo de Cidade Negra (RJ) e Tribo de Jah (MA), têm seus trabalhos em mais evidência fora das nossas fronteiras. A exceção cabe a banda Adão Negro que pisou em solo jamaicano, lançou um álbum produzido pelo também jamaicano Clive Hunt, e está preparando um DVD que será gravado ao vivo em 2008. Há mais de dez anos na estrada, a Adão Negro desponta dentre outros grupos do gênero, por transitar entre “peões e playboys”, e já foi visto com desconfiança por estes dois lados da sociedade. A personalidade forte do grupo e suas idéias bem fundamentadas superaram essas barreiras que insistem em atrasar o interatividade social.
O futuro...

Segundo Husbands o futuro está cheio de oportunidades para a nação reggae aqui estabelecida. “... Jimi Cliff me deu a oportunidade (ele acompanhou seu colega jamaicano como backing vocal por sete anos) aqui em Salvador e eu agarrei”. Expandiu sua carreira estagnada no Suriname devido a falta de perspectivas, encontrando aqui um mercado cheio de pontes para outros maiores ainda. “... quem vem de fora e vai viver em outra cultura/sociedade, enxerga mais claramente as oportunidades...”, diz. Sérgio observa que Salvador já está começando a exportar sua estética reggae para fora do país. Na vanguarda, prepara um CD todo em inglês que será veiculado na Califórnia. Cassiano atenta para o fato de que o futuro do reggae em Salvador é promissor e depende das atitudes e profissionalismo de produtores, músicos, veículos de comunicação e público.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Jazz e Reggae se encontram com estilo em Salvador

*Para melhor proveito, sugiro ler a matéria acompanhada de áudio do vídeo abaixo*



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A SURPRESA:
O Reggae invadiu o Jazz em Salvador, mais precisamente no Teatro ACBEU localizado no Corredor da Vitória. Vosso repórter foi surpreendido com a presença de Ricky Husbands (jamaicano, cantor de reggae) em participação especial no lançamento do disco de Mike Ellis, chamado Mike Ellis & Bahia Band composta por Marcio Tobias (B.A.) - alto saxophone, Gileno Santana - trompete, Mou Brasil - Guitarra, Munir Hossn - Guitarra, Marcos Sampaio - Baixo, Bira Reis Percussão, Andersosn Souza - percussão, Martinho da Cuica - percusão, Kinho Santos - percussão, Jorge Amorim - bateria (disco), Jorge Brasil - Bateria. Em duas sessões de aproximadamente uma hora cada, Mike Ellis mostrou toda uma mistura entre África, Europa, América do Norte e Brasil numa apresentação que constava com nada menos que 17 músicos no palco simultaneamente. Pode-se falar que a mistura não era apenas musical, já que a banda era formada por representantes do Brasil, Portugal e EUA, caracterizando todo o espetáculo de uma maneira bastante vivaz e autêntica.

HUSBANDS:
A participação de Husbands aconteceu na primeira sessão na música intitulada Bag´s Groove. Ele recheia a performance com free style, colocando "um algo mais" de reggae na composição de Milt Jackson. O título Bag´s Groove, vem do apelido de Milt que tinha grandes bolsas de gordura abaixo dos olhos e pode traduzido como “Balanço do Bolsa”. Essa seria também a primeira e única vez em que Miles Davis e o famoso contra baixista Thelonius Monk teriam gravado juntos. A interpretação da Mike Ellis & Bahia Band é notável, cheia de negritude esbanjada nos vocais de Husbands, com delays (ecos) característicos do dub e no balanço hora reggae, hora samba-reggae em cima de uma base jazz bastante densa.
Vale à pena conferir o trabalho realizado com muita pesquisa, que resgata pérolas do jazz com interpretações peculiares e bem adaptadas à nossa cultura.



quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Iniciativa e atitude. "Reggae eletrônico" balança a cidade

A INTERVENÇÃO:
Uma tarde diferente foi o que presenciei quando me predispus a fazer uma apuração da última edição do ano do movimento que ganha cada vez mais corpo nas ruas da cidade: o Mutirão Mete-Mão, promovido pelo MiniStéreo Público em parceria com a Zero Sete Um Crew. O primeiro é um grupo peculiar do cenário de música reggae de Salvador enquanto que o outro faz parte do universo do graffiti (estilo de arte de rua, que ganha cada vez mais força na nossa cultura). Composto por um grupo de dj´s e vocalistas, o MP faz do dub (vertente eletrônica da música reggae, daí dj´s e vocais rápidos e ritmados) e suas variações suas principais formas de expressão. Surgido em 2005 o MP é formado por seis integrantes quatro dj´s (chamados selectahs), dois vocais (chamados toasters) além de um técnico de som, peça fundamental para que tudo dê certo: Dudub (Roots Reggae, Dub e Dancehall), Pureza (New Roots e Ragga), Raiz (Dancehall e Ragga), DfrenSS (Ragga-JuNgle), Russo e Fael 1. O técnico de som se chama Regivan. Para eles o dia começou cedo, já que a festa estava prevista para ser iniciada às 10h da manhã e só foi terminar pouco após as 20h. Impressionado? Pois é... muito sol na cabeça, muita energia positiva e cultura das mais diversas formas acontecendo ao mesmo tempo: música, dança, graffiti, intervenções circenses (palhaços, malabares -vídeo no final da matéria) e improvisos vocais feitos na hora, além da Esquadrilha da Fumaça que se apresentava na orla e volta e meia, fazia suas perigosas acrobacias para o nosso “camarote” em frente à Igreja de São Lázaro, no local de mesmo nome. Chegando por volta das 15h (impossível comparecer mais cedo devido a um curso de extensão que não aconteceu, mas essa é outra história...), me deparei com a galera mais fiel ao som do grupo e grafiteiros deixando sua marca nas paredes dos bares que permitiam. Obras feitas na hora é só pra quem pode! E o clima melhorava cada vez mais com a chegada das tribos que já são leais seguidoras desse mutirão: rappers, skatistas, os já citados grafiteiros, músicos da cena, artistas de rua, universitários, estrangeiros e muito mais gente. Mas o que chamou a atenção do nosso fotógrafo (que sou eu mesmo...) foram esses caras que transformam paredes vazias em painéis cheios de arte. Através de trabalhos solo ou em conjunto com as crews (nome dado aos grupos de grafiteiros, cada um com nome e identidade própria). Ao contrário do que se pode pensar, a olho nu não enxerguei rivalidade entre eles e sim muita união expressada nos grafites realizados.


Entre eles estavam: RB´K, Limpo T. U., Bigode, Saint, AC, e o próprio Ras Fael 1º. Todos fazendo arte espontânea.

AS CULTURAS:
Segundo Dfrenss, Dudub observou que o Sound System tinha futuro nas ruas de Salvador devido ao caráter festeiro do soteropolitano e suas tradições envolvendo festas de largo. Essa comparação deu força para a criação do "sistema de som perambulante" que o MP luta para levar a comunidades como Saramandaia, Bairro da Paz, Garcia, o já citado São Lázaro dentre outras que fizeram parte do itinerário do grupo. O termo luta é devido à falta de apoio quando nos referimos ao trabalho que o MP vem realizando ao levar música e arte de graça para várias . "Ninguém ganha dinheiro com a música..." afirma DfrenSS. Dá pra ver que em geral o Mutirão Mete-Mão é bem aceito nas comunidaddes nas quais chega de assalto.
A música brasileira é parte mais que integrante das influências deles, e fará parte das suas performances em breve, seja em samba reggae, samba ou o que mais vier à cabeça. Sendo o objetivo deles estarem presentes em festas populares, essa mistura será de grande valia. Gilbero Gil, Bob Marley, Peter Tosh são só alguns nomes que podem entrar nesse caldeirão cultural. "(...) a galera evoluiu nessa pesquisa, cada um pesquisando uma coisa diferente..." observa DfrenSS. Ainda ele, o acesso à informação está cada vez maior e assim como eles têm mais chances de pesquisa e divulgação das suas ações, o público também tem mais canais para saber o que está rolando de bom e inusitado na cidade "... a periferia tem mais acesso à internet (...) basta você querer buscar informação..." atesta o selectah.
Outro ponto marcante são os já citados improvisos, um dos pontos altos do Mutirão. A galera que comparece tem a oportunidade de curtir representantes do rap e ragga; e não importaria se fossem repentistas, pois a política do grupo é clara: a arte é livre e espontânea e essa prática de deixar o espaço aberto para intervenções, gera emoções e momentos únicos para integrantes do movimento e audiência, algo mais que gratificante para o MP. Onde será que pode chegar tal miscelânea? Que artistas vão surgir dessas manifestações no futuro? Com certeza estamos assistindo o nascimento de uma nova tendência em Salvador. Pioneirismo e atitude são as palavras de ordem. Fayaka!!




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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Em breve...

Me sinto na obrigação de dar uma satisfação aos leitores do Notícias Reggae e informar que estou preparando uma nova matéria para esta semana! Aguardem e fiquem ligados pois diz respeito às novas manifestações do reggae em Salvador! Uma mistura inusitada que vem dando muito certo!
Abraços!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ponto de Equilíbrio: mensagens de paz, amor e respeito. Rastafári!


Hélio Bentes, vocalista da banda Ponto de Equlíbrio, nasceu no Rio de Janeiro em 19/05/1981 e tem uma herança musical forte. Sua mãe era firmada na umbanda e seu pai era crooner de uma banda e costumava gravar o filho cantar. Em 1997, sem abandonar a veia artística, tentou a vida em diferentes empregos enquanto se aventurava na carreira de Mc (termo usado para definir cantores de rap). Nessa época conheceu artistas do gênero como Mano Brown, Ed Rock, Ice Blue e KL Jay e é muito grato a todos.
Começou a escutar reggae aos 14 anos e nunca mais parou. Em 1999 conheceu Ras André e através dele os outros integrantes da banda e com a filosofia rastafári integrada ao seu pensamento musical, começaram a compor algumas das suas principais canções com violões e bongôs e assim nascia a PDE, banda de reggae que está proclamando sua música ideológica aos quatro ventos. Nascido e criado no famoso bairro de Vila Isabel, ele tem no sangue o samba e balanço na voz. A equipe do Notícias Reggae (que no momento sou apenas eu...) compareceu à República do Reggae no último sábado - importante evento do calendário regueiro de Salvador - e conseguiu uma rápida entrevista para matar a curiosidade da nação regueira de Salvador e de até onde a internet alcançar:

João Barreto: Suas músicas não seguem um padrão radiofônico. De onde vocês acham que vem o sucesso de hoje?

Hélio Bentes: A palavra sucesso na verdade é um pouco complexa, pois o sucesso está nas pequenas grandes coisas. (pausa para fãs que entram à procura de fotos). A gente teve o princípio de que a música é baseada naquilo que a gente sempre quis, né? De fazer uma música reggae voltada pra as suas raízes, entendeu? Não que a gente não pudesse misturar com outras vertentes de música, porque o reggae nasce de diferentes influências de música e também com o tempo e como a gente tem essa música, como você disse, não radiofônica, e por a gente ouvir e tocar muito reggae de raiz, assimilar aquilo, né? Quem ouve uma música mais de raiz assim acaba sendo mais colecionador, acaba sendo bem fã daquela música ali mesmo e tal. Então a gente foi conquistando cada vez mais público, aquele público que gosta de reggae, novas pessoas que tavam começando a ouvir. O reggae da forma que a gente gosta de fazer é o reggae que da forma que muitas pessoas gostam de ouvir e hoje em dia essa expansão, essa força que o público tem, essa fidelidade que o público tem com a gente e que a gente tem com nosso público faz com que outras pessoas queiram conhecer a nossa música. Então o sucesso taí como eu digo. Nas pequenas grandes coisas. A gente vem sendo bem sucedido na forma de trabalhar, na forma de lidar com a música, com nosso público e vice-versa.

J.B: Então o sucesso vem da espontaneidade, na autenticidade do trabalho que vocês fazem? Vem da galera que realmente curte.

H.B: Isso!

J.B: São todos rastafári no grupo?

H.B: Olha... de coração eu posso dizer que são. A gente faz uma música rastafári. Algumas pessoas são ligadas ao rastafári pela música, entendeu? Com a música reggae sendo uma religião e como o reggae vem de rastafári ele é rastafári dessa forma. Eu e o Ras André que tá aqui agora, (que não quis se pronunciar... estava “na dele”) a gente faz parte de um grupo lá no Rio que se chama Congregação Niyabinghi Raiz Rastafári. A gente faz alguns encontros com tambor. Encontro religioso com toque que vem pra batida do coração africano. Retorno à África. E desse grupo também saem oficinas que auxiliam crianças e pessoas mais velhas, né? Desde o começo da banda que a gente é ligado com essa cultura rastafári, que tem muito a ensinar ao povo brasileiro.

João Barreto: Esta é a quarta vez que vocês vêm a Salvador. Alguma observação a respeito do povo ou da cidade ou foram passagens muito relâmpago?

H.B: Várias observações. Aqui chegaram as primeiras embarcações de navios negreiros. Aqui que tá concentrada a maior parte de afro descendentes do Brasil. Isso reflete muito na comida, na música, na forma de viver, na cultura, né? A gente observa que a cultura africana aqui de raiz iorubá é muito forte, e a gente tá tocando aqui pra esse público sentir a vibração verdadeira das nossas raízes. Iorubá mesmo, né?

J.B: É verdade. O que vocês acham do reggae da Bahia?

H.B: O reggae da Bahia tem muito a ensinar, né cara? O reggae da Bahia é muito bom. Como eu disse aqui tem muito afro descendente. A raiz do reggae é da Jamaica e também vem com essa mesma pegada. Temos aí o Edson Gomes e muitas bandas boas. O reggae daqui é autêntico.

J.B: Então o reggae da Bahia é bem visto lá fora?

H.B: Com certeza. E estar sendo bem aceito aqui na Bahia pelos outros músicos das outras bandas e pelo público pra gente é muito bom, muito importante. Gratificante.

J.B: É merecido vocês podem ter certeza disso. Vocês dão um grito importante pra música reggae. Como vocês enxergam o futuro do reggae no Brasil? Vocês que tão dando uma geral em cada canto do país...

H.B: Há um tempo atrás tava um modismo, muitas bandas aparecendo e tal. E agora tá ficando quem faz um reggae verdadeiro, quem veio pra ficar, não querendo desmerecer as outras coisas. É delicado falar disso, mas o que é verdadeiro é o que vai ficar mesmo e o que é falso é o que vai cair, e eu vejo que o futuro do reggae tá caminhando pra ficar cada vez mais fino, cada vez mais peneirado, então vai melhorar. Espero que melhore a qualidade musicalmente e espiritualmente.

J.B: Como a banda compõe?

H.B: Às vezes tem várias formas da gente compor, né? Como meu amigo Ras André (ainda no canto dele. Tranqüilão.) disse uma vez e costumo repetir: a inspiração tá no ar. Basta a gente ir catando, né? Em princípio é dessa forma. A gente pode estar tocando um groove e sair uma letra, ou uma viola, ou já letra feita e depois é só botar a música, a melodia. De diversas formas a gente compõe e faz as músicas. Ela chega pra gente.


J.B: Inspiração é a regra, o momento é o que diz, não é?

H.B: Isso. Exatamente.

J.B: A estrela de Davi é o símbolo da banda, não é isso? Qual a relação da banda com a Estrela de Davi?

H.B: A estrela de Davi que tem um ponto de luz no meio que representa o ponto de equilíbrio que é uma coisa que a gente tá buscando ainda. É o que a gente pode chamar de uma nova era que vai vir nas crianças que tão chegando agora, (...) uma nova informação que a gente quer passar pra essas crianças pra que a gente um dia possa encontrar esse ponto de equilíbrio, e a Estrela de Davi representa o que acontece em cima é o que acontece embaixo; o que acontece embaixo é o reflexo do que acontece em cima, né? Feminino, masculino, o bem e o mal. É o equilíbrio e o ponto no meio.

J.B: Alguma mensagem para os leitores da Notícias Reggae?

H.B: Minha mensagem principal é respeito. Respeito aos seus irmãos, porque a partir do respeito a gente pode começar a amar, né? Começar a ver a luz do próximo, não querer o mal de ninguém, né? Sempre querer o que é nosso, conquistando o nosso espaço, conquistando os nossos direitos, conquistando os nossos irmãos, amigos, né? Fazendo sempre o bem, querendo sempre a paz... e muita música no coração e espírito elevado.

J.B: Hélio, muito obrigado pela oportunidade! A galera do Notícias Reggae agradece bastante!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Groundation: para eles música é Deus.

Respeito. Buscando inspiração para escrever esta entrevista inaugural deste blog, me deparei muitas vezes com essa palavra enquanto tentava esmiuçar o que aconteceu na apresentação da banda Groundation. Eles vieram e mostraram serviço, de maneira que superaram muitas das expectativas do público que compareceu para ver de perto uma das maiores bandas de reggae da atualidade.
Com muita energia e simpatia a trupe californiana fez o que muitos artistas internacionais não fazem, por falta de tempo ou paciência ou ambos: tocaram com vontade e à vontade. E é isso que chamo de respeito. Cada nota executada era um suspiro de algum fã. Muitos não conseguiam acreditar que aquilo estava acontecendo bem diante deles, já que lá estava a Groundation fazendo uma longa apresentação com direito a bis e muito, muito improviso por parte de todos os componentes. Tudo isso transformou a noite numa série de momentos especiais.
Este humilde repórter conseguiu um “furo” de reportagem ao recolher um depoimento em duas partes do próprio Harrison Stafford (veja trecho do vídeo abaixo) , vocalista da banda, em primeira mão e logo após a apresentação do dia 11/11/2007:

J. Barreto:
(Música alta ao lado do palco, fãs amontoados atrás de mim) Após tantas viagens tocando e colhendo informações sobre o reggae ao redor do mundo, qual você acha que é a posição desse tipo de música na cena internacional?

Harrison Stafford:
(Música continua... empurrões idem) Nós ainda temos muito trabalho a fazer (...) se você observar o meio ambiente, se você observar a política, a economia, o mundo vai ter que mudar. E o mundo vai ter que se voltar para a música que fazemos. Somos pequenos agora, mas seremos grandes no futuro! Posso sentir as coisas acontecendo!

J. Barreto:
Então a energia positiva está reinando dentro da música?

Harrison Stafford:
É como se a música fosse a última arma, se nos rendermos à música mundana estaremos condenados. Nós temos que manter a música viva. Quero dizer a música positiva, músicas que falam de mim e de você e a respeito de nossas vidas (...) é o tipo de trabalho que tentamos fazer com a Groundation! (...) falam muito sobre sua garota e seu dinheiro (...) a camisa que você compra (...). Você é um consumidor (...) nossa música não é para vender (...) é música livre (...)
!

Com estas palavras ele confirma que a energia que rola no palco não é encenação, e sim um comportamento natural de todos os integrantes do grupo. A toda hora é proclamada a frase "music is The Most High" que traduzida soaria como "música é o Altíssimo"... essa é a regra de inspiração do trabalho bem feito que eles realizam com composições que condenam a avareza, o egoísmo, a violência e outras facetas negativas da humanidade além de cantarem sobre trechos bíblicos e histórias de vida e coragem. A Groundation chegou para ficar no cenário de música reggae no Brasil.

Por: João Barreto.


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